News

Alunos do grupo AgmFácil participaram da conferência da American Society of Agronomy


Nos dias 6 a 9 de novembro de 2016 ocorreu em Phoenix, Arizona, a Conferência “Resilience Emerging from Scarcity and Abundance” realizada pela American Society of Agronomy. Neste evento os alunos do grupo de pesquisa em Agrometeorologia Fernando Hinnah e Gustavo Beruski apresentaram resultados de seus trabalhos de pesquisa de doutorado no Brasil.

Fernando apresentou o trabalho intitulado “Long-term Analysis of Coffee Rust Epidemics in Brazil”. Neste trabalho, analisou-se 16 anos da epidemia da ferrugem do cafeeiro no município de Varginha, MG (em lavouras não tratadas com fungicidas), com o objetivo de avaliar dados como início e final da epidemia, meses de maior evolução da doença e a área abaixo da curva de progresso da doença. Os resultados foram divididos em lavouras com alta e baixa carga pendente de frutos, devido a fenologia bienal do cafeeiro.


Em anos de alta carga pendente de frutos os carboidratos oriundos do processo fotossintético são direcionados ao enchimento dos grãos, em detrimento a sua utilização como metabólitos do mecanismo de defesa das plantas, tornando o cafeeiro mais suscetível ao patógeno da ferrugem. Já em anos de baixa carga pendente de frutos essa partição favorece a defesa da planta devido a menor quantidade de frutos atuando como dreno dos produtos da fotossíntese. Devido a estes fatores a área abaixo da curva de progresso da ferrugem em lavouras com alta carga pendente é de 13320, aproximadamente 144 % maior do que os 5447 de lavouras em safras com baixa carga pendente.


Em ambas as cargas pendentes a epidemia da ferrugem inicia em novembro, com valores em torno de 5-10 % de incidência em lavouras sem aplicação de fungicidas, sendo que em lavouras com aplicações este valor geralmente é inferior a 1 %. Nas condições de alta carga pendente o valor máximo é alcançado em julho, com mais de 80 % das folhas infectadas. Valores tão altos quanto este podem ser alcançados de abril a agosto, dependendo das condições meteorológicas da safra em questão. Com isto a epidemia pode durar até 240 dias, necessitando aplicações de fungicidas que mantenham a ferrugem em valores baixos o suficiente para a menor perda de produtividade econômica e ambientalmente viável. O incremento de incidência mensal médio nesses casos é de 11 %, com máximo incremento de março a abril de 18 %.


Em safras ou lavouras com baixa carga pendente a epidemia é pouco severa com valores máximos de incidência geralmente inferiores a 40 %, no mês de junho, caracterizando o final da epidemia anteriormente à condições de alta carga pendente de frutos. O incremento mensal médio nessas condições é de apenas 4 %, enquanto que o máximo ocorre nos meses de março a abril com incremento de 6 %.


Agradecimentos a Fundação Procafé pelo apoio, e a FAPESP pelo financiamento desta pesquisa.


Já Gustavo apresentou o trabalho intitulado “Performance of Asian soybean rust warning system at different states in Brazil”. Atualmente o controle da ferrugem asiática da soja é realizado por meio de fungicidas. A determinação do timing de aplicação baseia-se apenas em características morfofisiológicas da cultura, usualmente as pulverizações iniciam quando a planta de soja encontra-se no estádio fenológico de início de florescimento (R1). Apesar dessa prática ser amplamente utilizada, ela desconsidera completamente o efeito das condições meteorológicas na ocorrência da doença em campos de produção de soja. Uma metodologia de alternativa que pode auxiliar no controle da ferrugem asiática é a adoção de sistemas de alerta fitossanitários, os quais são ferramentas que se baseiam em condições meteorológicas para determinar o melhor timing de aplicação de fungicidas para o controle de doenças.


Entretanto, para que sistemas de alerta possam ser utilizados por agricultores é necessário que os mesmos sejam testados em diferentes locais e em condições meteorológicas distintas. Dessa forma, o trabalho foi conduzido em Piracicaba, SP (Lat. 22°42’ S, Long. 47°30’ W, Alt.: 546m), Ponta Grossa, PR (Lat. 25°05’ S, Long. 50°09’ W, Alt.: 969 m) e Campo Verde, MT (Lat. 15°24’ S, Long. 55°50’ W, Alt.: 689m.). Nos três locais a semeadura da soja ocorreu no mês de dezembro, fazendo uso do mesmo espaçamento entrelinhas (0,45 m) e densidade de semeadura (270 mil plantas por ha-1). O sistema de alerta utilizado baseia-se apenas em dados de chuva. O sistema de alerta foi confrontado com o controle convencional praticado por agricultores (pulverizações sequenciais a partir de R1), bem como com área sem controle da doença.


De acordo com os resultados obtidos na pesquisa verifica-se que o sistema de alerta não foi eficaz para a localidade de Campo Verde, MT, indicando maior número de pulverização comparado ao sistema convencional de controle. Contudo, é importante destacar que o plantio tardio da soja no Mato Grosso não é uma prática comum, e a não eficácia no controle da ferrugem pode estar associada à elevada concentração de inóculo da doença na região.


Na localidade de Piracicaba, SP, o sistema de alerta acusou a necessidade de três pulverizações, enquanto que no controle convencional pulverizou-se cinco vezes. Contudo, a redução no número de pulverizações não refletiu em incrementos na produtividade da cultura da soja.

Diferente de Campo Verde e Piracicaba, na localidade de Ponta Grossa, PR, o sistema de alerta apresentou melhor desempenho, sendo capaz de reduzir o número de pulverizações e gerar incrementos na produtividade da cultura. Nas áreas em que o sistema de alerta foi adotado verificou-se a necessidade de uma aplicação a menos e incremento de 440 kg ha-1 na produtividade da cultura, comparado ao sistema convencional de controle de ferrugem asiática.


Agradecimentos FAPESP pelo financiamento desta pesquisa (Projeto – 2014/05677-1). Também a todos os pesquisadores e instituições envolvidas na condução do trabalho (Departamento de Produção Vegetal, ESALQ-USP; Fundação Mato Grosso; Universidade Estadual de Ponta Grossa; CESCAGE).

Posts Recentes
Arquivo

Agrometeorologia Fácil

USP/ESALQ/LEB - Av. Pádua Dias, 11 - Piracicaba/SP - CEP 13418-900

Tel.: (19) 3429-4283  Fax (19) 3447-8571 - pcsentel.esalq@usp.br

© 2016 Agmfácil